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dezanove de dezembro - vinte e um de dezembro:
tu me chamavas de teu anjo, pois dizias que tinha sido enviada dos céus. nunca quis que partisses, queria que ficasses aqui mesmo. estes dias maracaram-me tanto, a tua perda arrancou uma parte tão especial de dentro de mim, e hoje é o dia que eu ainda não a consigo repor, talvez nunca a conseguirei repor mais, partiste de uma maneira tão cruel que despedaçou o meu coração de tal maneira que é impossível ter força para levantar a cabeça e seguir em frente, apenas restam memórias nossas, mais do que meras recordações que permanecem comigo, no meu pensamento, no meu coração, mas para além disso permanece uma grande necessidade de ti, cada dia que passa as saudades aumentam e aumentam, mas estas são insaciáveis, uma grande dor trago sempre no meu peito quando penso em ti e na falta que me fazes avó, é uma dor diferente de todas, diferente que uma queda, diferente de uma picada, é uma dor monstruosa, pois tiraram-me o brilho dos meus olhos, o meu raio de luz. sei que estas num lugar melhor que este, mas quem me dera puder ver o teu rosto uma vez mais. tenho de ser forte por ti, mas custa-me, por vezes vêm as lágrimas aos olhos e caem fortemente pelo meu rosto quando penso em ti, na tua voz meiga, na tua mão macia, no teu gesto envolvente, na tua bondade constante, no teu olhar inocente, no teu sorriso contagiante, na tua perfeição. foi e é um impacto tão grande na minha vida que jamais tudo será igual, mas agora que tudo é diferente, ainda sinto que estas presente. arrependo-me de não te ter dado mais atenção eu sabia que precisavas, mas fui fraca, por isso perdoa-me. ver-te ali deitada tão fria, tão silenciosa, nem o gesto saía do teu pobre corpo, sem te mexeres ali estavas sem soltares um sorriso, sem chamares por mim, gritar foi isso que me apeteceu quando os meus olhos te tocaram naquele instante e aí acordei e vivi o que estava a acontecer, perdi a minha avózinha querida. foi como me tivessem tirado a repiração, a vontade de viver, arrancaram-me o coração de um momento para o outro sem dó nem piedade. só me apetecia fugir daquele lugar daquele mundo de pesadelos, são imagens que o tempo nunca apagará, uma ferida que jamais fechar-se-à, um pesadelo mesmo, surreal ao olhar, ainda é o dia que não me conformo que já não estas cá para me proteger e que não pertences a este mundo, mas acordo e vejo que é pura realidade. sabes que te amo vó e tu és o meu orgulho e motivação de continuar e levantar a cabeça odos os dias, esta é a lembraça da tua neta que ajusdaste sempre nos momentos mais difíceis e que eu não te ajudei ultrapassar nem a vencer a morte, perdoa-me, apenas abraça-me, sente-me porque eu sinto-te no meu coração todos os dias da minha vida ! (L) obrigada por tudo que fizeste e deste por mim, eu te agradeço do fundo do meu coração, maria.
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